A influência contemporânea de Immanuel Kant

  • 18/02/2015
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Parece mesmo incrível a sensível influência contemporânea de Kant que prosseguiu por muitos pensadores, acadêmicos, cientistas e estudiosos.

O pensamento desenvolvido por Immanuel Kant influenciou e ainda influencia diversos segmentos do conhecimento humano. Inúmeros acadêmicos, cientistas e estudiosos como Einstein, Weber, Piaget e Freud foram inspirados por suas obras e seus conceitos.

 

Kant é considerado ainda o maior dos filósofos modernos, tanto que, mesmo contemporaneamente suas ideias abrem novos pontos de vista em diversos campos do conhecimento tais como: a filosofia, a sociologia, a ciência política, a psicologia e a pedagogia.

 

O trabalho kantiano permanece como referência para muitos pensadores contemporâneos, especialmente na metafísica e epistemologia.

 

Seu pensamento é geralmente dividido em duas fases: a pré-crítica que vai até a Dissertação de 1770, e a fase crítica, a partir da publicação da “Crítica da Razão Pura” (cuja primeira edição foi em 1781).

 

Na sua primeira fase, Kant pode ser considerado um legítimo representante do chamado racionalismo dogmático, caracterizado pela forte influência do sistema Leibniz[1]-Wolff[2].

 

O próprio Kant relatou em seus Prolegômenos, foi a leitura de Hume que propiciou o seu despertou dogmático. Kant ao mostrar os limites do conhecimento gerou possibilidades inovadoras.

 

O reconhecido filósofo francês Jean-François Lyotard dizia que: “O nome de Kant é um epílogo para a modernidade, e um prólogo ao pós-modernismo”. Muitas de suas obras permanecem atuais. Seu livro “Pela Paz Perpétua” de 1795 é considerado o prenúncio da acepção sobre a paz democrática no mundo atual.

 

Em 2004 quando se completaram duzentos anos da morte de Kant, o então ministro do exterior alemão Joshika Fischer declarou publicamente que Kant é um dos grandes nomes da filosofia e, ainda afirmou que quando fora estudante, leu todas as obras importantes e, reconheceu que lhe marcou bastante.

 

Como pensador moderna representou um ser sensato e definiu a filosofia como a ciência da relação de todo conhecimento e de todo uso de razão como fim último da razão humana, caracterizando-se pelo tratamento de quatro questões fundamentais, a saber:

 

  1. O que posso saber?
  2. O que devo fazer? Cuja resposta é dada pela moral.
  3. O que é o homem? Objeto da antropologia, à qual em última análise se reduz as outras três e que é na verdade a mais importante das quatro questões.

 

Por esses questionamentos Kant pode determinar as fontes do ser humano; a extensão do uso possível e útil do saber; e os limites da razão (esse último item é o mais desafiador e difícil, porém o mais necessário, na perspectiva da filosofia crítica).

 

A influência kantiana sobre o pensamento político deve-se ao ensaio “A paz eterna” e também as suas ideias, sua ética, o imperativo categórico[3], sua crítica à razão teórica significaram grande literatura que nutriu o pensamento ocidental, ultrapassando as fronteiras dos países de língua alemã.

 

Podemos citar como intelectuais influenciados por Kant, como por exemplo, Reinhold, Fichte, Schelling, Hegel, G.K. Chesterton, Hilaire Beloc, Schopenhauer, Piaget, Freud, Heidegger, Foucault, Weber e Lyotard.

 

Todo o pensamento filosófico ocidental a partir do século XIX girou em torno da especulação de Kant. Depois de Kant, boa parte do mundo e da Alemanha começou a cogitar sobre metafísica.

 

Beethoven citou com admiração suas famosas palavras sobre duas maravilhas da vida: o estrelado céu lá em cima, a lei moral dentre nós, e Fichte, Schelling[4], Hegel e Schopenhauer produziram em célebre sucessão grandes sistemas de pensamentos erigidos sobre o idealismo do pietista do Königsberg.

 

Foi sob a influência da metafísica alemã que Jean Paul Ritcher escreveu: “Deus deu aos franceses a terra, aos ingleses o mar, e aos alemães o império do ar”.

 

Foi a crítica à razão e sua exaltação ao sentimento é que preparam o terreno para o voluntarismo de Schopenhauer e Nietzsche, o intuicionismo de Bergson e o pragmatismo de William James. Influenciou também Hegel e Spencer bem mais que este percebera.

 

Os conceitos kantianos ainda foram o ponto de partida para a moderna filosofia alemã. Hegel o comparava a Sócrates. O primeiro e maior discípulo de Kant foi João Amadeu Fichte[5] que se encaminhou decididamente o criticismo pela vertente do idealismo imanentista.

 

O idealismo alemão foi desenvolvido de 1780 a 1790 inspirado no idealismo transcendental, através do qual Kant distinguiu o conhecimento que temos dos objetos sempre submetidos às formas especificamente humanas de conhecer (ideias de espaço e tempo) dos objetos que jamais serão conhecidos.

 

Fichte e Schelling conferiram a este pensamento um sentido menos crítico e mais subjetivo, considerando o real como produto da consciência humana.

 

É na “Crítica a razão pura” que formulou a sua concepção de filosofia transcendental, ou seja, uma investigação que, “em geral, se ocupa não tanto com objetos, mas com o nosso modo de conhecimento de objetos”. Kant partindo da tradição distinção entre juízos analíticos e juízos sintéticos.

 

Apontou que os analíticos são de caráter lógico, aqueles em que o predicado está contido no sujeito, ou seja, não produzem a definição do sujeito do juízo.

 

São, portanto, a priori, independentes de experiência. Já os juízos sintéticos, são os a posteriori e dependem da experiência e constituem uma ampliação de nosso conhecimento.

 

Produzem conhecimento, mas não são universais e necessários e baseiam-se no máximo em generalizações empíricas. Kant considerou que a distinção havia entre o analítico ou a priori e o sintético ou a posteriori é insuficiente para explicar a ciência, pois precisamos ter juízos universais e necessários que ampliem o conhecimento: os juízos sintéticos a priori.

 

Tal tipo de juízo é caracterizado por Kant como independente da experiência, porém relacionado a esta, já que se refere às condições de possibilidade. Os princípios mais gerais da ciência, os fundamentos da física e da matemática e os juízos filosóficos da teoria do conhecimento que Kant pretendeu estabelecer, pertenceriam a esta nova classe do juízo.

 

Kant formulou a metáfora da revolução copernicana da filosofia. Tal qual Copérnico que teria invertido o modelo tradicional de cosmo em que o Sol girava em torno da Terra, mostrou que no conhecimento, não é o sujeito que se orienta pelo objeto (o real), como quis a tradição, mas o objeto que é determinado pelo sujeito.

 

A “Crítica da Razão Pura” visa, assim, investigar as condições de possibilidade do conhecimento, ou seja, o modo pelo qual na experiência de conhecimento, sujeito e objeto se relacionam e em quais condições esta relação pode ser considerada legítima.

 

Sujeito e objeto são, portanto, para Kant, termos relacionais, que só podem ser considerados como parte da relação de conhecimento, e não autonomamente.

 

Só há objeto para o sujeito, só há sujeito se este se dirige ao objeto, visa apreendê-lo. Na concepção kantiana, o conhecimento do objeto resulta da contribuição de duas faculdades de nossa mente, ou de nossa razão, a sensibilidade e o entendimento.

 

A primeira parte da “Crítica da Razão Pura” trata das formas puras da sensibilidade, as categorias, para o conhecimento, considerando ainda a unidade sintética da apercepção e ao esquematismo da razão pura. Assim a sensibilidade e entendimento se unem para constituir a experiência cognitiva.

 

Ao desenvolverem tal conceito de consciência humana, tornaram-se os grandes nomes do idealismo alemão pós- kantiano[6].

 

Hegel foi um dos primeiros críticos de Kant. Ele empregou o termo idealismo absoluto para caracterizar sua metafísica. A noção hegeliana de ética pretende ampliar e não substituir a ética de Kant.

 

Dessa forma, muitas vezes Hegel é considerado como defensor de alguns kantianos como o da liberdade. Apesar de sua oposição à Kant, principalmente em face da dialética de Hegel, os dois filósofos não parecem discordar com a ideia racional de filosofia, ou seja, de que esta possa propósito teleológico, enraizado numa concepção orgânica de razão.

 

O romantismo[7], fenômeno artístico e literário, em especial o alemão, é considerado como movimento paralelo ao idealismo.

[1] Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) nasceu em Leipzig, Alemanha, tendo estudado filosofia e matemática em universidades alemãs. Adquiriu grande nomeada por várias circunstâncias. A primeira delas pelo fato de que se tornou um diplomata de enorme influência nas principais cortes europeias.

 

Seu empenho consistia, sobretudo em lograr a unificação das nações cristãs para expulsar os turcos da Europa, sabendo-se que chegaram às portas de Viena e ocuparam desde a Romênia ao conjunto de territórios reunidos sob a denominação genérica de Balcans.

 

 

Segue-se o desenvolvimento que proporcionou à matemática, considerando-se que sua doutrina física chegou a ser uma alternativa à física aristotélica. Graças a isto foi escolhido para presidir a Sociedade de Ciências de Berlim. Nesse particular, disputou abertamente a primazia com partidários da física newtoniana.

 

 

Finalmente, formulou os princípios de um novo sistema filosófico que imaginava destinado a alcançar a grandiosidade da Escolástica. Devido ao fato de que tais princípios achavam-se dispersos em diversos textos, Christian Wolff (1679-1754) – professor de filosofia em Halle desde os começos do século, prestigiado na Corte prussiana – assumiu a responsabilidade de dar-lhes feição sistemática.

 

 

E assim a nova proposta filosófica veio a ser conhecida como sistema Wolff-Leibniz, conquistando a adesão das principais universidades alemãs. É esse sistema que Kant tem em vista na sua obra crítica.

 

A filosofia trata de todas as coisas possíveis, subdividindo-se em teórica e prática. A filosofia teórica compreende a ontologia (ciência do ser enquanto que é); cosmologia (estudo do mundo enquanto formado por entidades compostas); psicologia (estudo das entidades simples, cuja forma representativa se manifesta nos atos de conhecer e apetecer) e teologia (tendo por objeto a essência de Deus).

 

 

A exemplo da Escolástica, Leibniz e Wolff acreditam encontrar a essência de todos os entes – existentes e possíveis – por uma simples análise conceitual. De posse desse fio condutor, o saber é rigorosamente ordenado e sistematizado.

 

 

As coisas se passam como se a nova ciência da natureza, ao invés de constituir se em problema para a filosofia, fornece-lhe um modelo (matemático) para a reconstrução do sistema. Leibniz encontra-se entre os grandes matemáticos de todos os tempos. A filosofia prática se subdivide em economia e política.

 

 

Deste modo, com base nas doutrinas de Leibniz, Wolff reconstitui o sistema, com toda a grandiosidade da Escolástica. O protestantismo tinha, afinal, uma filosofia, elaborada em consonância com os tempos modernos.

[2] O chamado sistema Leibniz-Wolff conquistou a maioria das cátedras germânicas durante o século XVIII.

O idealismo das últimas décadas não poderia operar mudança automática nesta situação. Certo é que apesar de apoiar-se nas ideias do empirismo inglês.

A crítica leibniziana da concepção mecanicista da natureza como explicação total do universo, nesta aprendendo que a eliminação da causa final torna difícil a reconciliação da filosofia com o amor de Deus, ou para empregar as mesmas palavras das Tendências gerais da filosofia na segunda metade do século XIX, que o drama do ser termina na libertação final pelo bem.

 

[3] O imperativo categórico é um dos principais conceitos da filosofia de Kant. Sua ética tem como conceito esse sistema. Para o filósofo alemão, o imperativo categórico é o dever de toda pessoa doar conforme os princípios que ela quer que todos os seres humanos sigam, se ela quer que seja uma lei da natureza humana, ela deverá confrontar-se realizando para si mesmo o que deseja para o amigo.

Em suas obras Kant afirmou que era necessário tomar decisões como um ato moral, ou seja, sem agredir ou afetar outras pessoas. Enfim, o imperativo categórico é enunciado com três diferentes fórmulas e suas variantes que são: a) lei universal; b) fim em si mesmo; c) legislador universal ou autonomia.

[4] A filosofia de Schelling é, fundamentalmente, idealista: o espírito, o sujeito, o eu, é princípio de tudo. Como Fichte, admite que a natureza é uma produção necessária do espírito; recusa, porém, o conceito de Fichte de que a natureza tenha uma existência puramente relativa ao espírito. Para ele, a natureza - embora concebida idealisticamente - tem uma realidade autônoma com respeito ao sujeito, à consciência.

A natureza é o espírito na fase de consciência obscura, como o espírito é a natureza na fase de consciência clara. Então o princípio da realidade não é mais o eu de Fichte (o eu absoluto, o sujeito puro); mas deverá ser um princípio mais profundo, anterior ao eu e ao não-eu: será precisamente a identidade absoluta do eu e do não-eu, sujeito e objeto, espírito e natureza.

Dessa identidade, princípio absoluto da realidade, decorrerá primeiro, a natureza e o seu desenvolvimento, e depois o espírito com toda a sua história, não como sendo oposição e negação da natureza, mas como seu desenvolvimento e consciência.

 

[5] João Amadeu Fichte nasceu em 1762, em Rommenau. Primeiro estudou teologia na universidade de Jena, depois se dedicou entusiasticamente à filosofia kantiana, e conheceu pessoalmente Kant.

Em 1794 foi convidado a lecionar na Universidade de Jena. Aí teve que enfrentar a oposição das autoridades religiosas e políticas, que - protestantes embora - tiveram intuição do seu anticristianismo e ateísmo. Apesar das suas desculpas, enfim teve Fichte que deixar o ensino universitário.

Depois de ter peregrinado por várias universidades, e ter travado relações com um círculo romântico, estabeleceu-se definitivamente, em 1810, na Universidade de Berlim, onde pronunciou os famosos “Discursos à Nação Alemã”, para incitar os seus patrícios contra Napoleão que humilhara e vencera a Alemanha. Faleceu em Berlim, em 1814. Entre as suas obras, a principal é Fundamentos da doutrina da ciência, onde expõe sistematicamente o seu pensamento.

 

[6] Além de Kant, a outra fonte essencial do idealismo alemão é Spinoza. Este filósofo é arrancado do desprezo e do esquecimento em que jazia, e o seu pensamento encaminha decisivamente o idealismo para a trilha do monismo imanentista, para o qual já fora orientado por Kant.

Todos os filósofos idealistas (Fichte, Schelling, Schleiermacher, Hegel, Schopenhauer) dependem, mais ou menos, de Spinoza, bem como dele dependem artistas, literatos, poetas, com Goethe à frente. Apesar do seu conceito de criatividade do espírito, de síntese a priori, Kant deixara ainda uns dados, em face dos quais o espírito é passivo: o mundo dos noumenons, que o espírito não consegue conhecer.

Esse mundo de coisa em si, esse mundo de dados, é representado especialmente de um lado por aquela misteriosa matéria, e de outro lado por aquele mundo inteligível, donde derivaria toda a atividade organizadora e criadora do espírito, no mundo empírico.

Ora, o idealismo clássico nega todo dado, ou coisa em si, perante o qual o espírito é passivo, e, portanto nega o transcendente mundo kantiano dos noumenons, e reduz tudo à mais absoluta imanência do espírito.

O mundo da matéria, das sensações, da natureza, é uma criação inconsciente do espírito; este é transcendental - e não transcendente - com respeito à multiplicidade e ao vir-a-ser do mundo empírico, no qual unicamente, entretanto, o espírito se realiza e vive, se concretiza a si mesmo indefinita e livremente, e é plenamente cognoscível a si mesmo.

 

[7] Um dos elementos principais do romantismo alemão é a concepção do eu que fora elaborada pela filosofia idealista, e de modo difuso, de todo o romantismo europeu.

Desenvolvido a partir de alguns conceitos kantianos, Fichte desviou-se da filosofia dos objetos exteriores, superando assim a posição de Kant, que conservara os conceitos de "coisa em si" e de "número". Para Fichte, o Eu constitui a realidade primordial e absoluta, tal como a consciência de si representa o princípio absoluto de todo o saber.

O Eu fichtiano afirma-se a si próprio, revelando-se como Eu absoluto, pois a sua essência consiste unicamente no fato de se afirmar ele próprio como sendo, e como Eu puro, pois o Eu é uma atividade pura, isto é, uma atividade que não pressupõe um objeto para se realizar: Eu sou muito simplesmente o que sou, e eu sou muito simplesmente porque sou.

O mundo romântico, diferentemente do mundo humanístico e do mundo iluminista, está radicalmente aberto ao sobrenatural e ao mistério, pois representa apenas «uma aparição evocada pelo espírito». No prólogo da segunda parte do romance de Novalis Heinrich von Ofterdingen,  Astralis grita: « Espírito da terra, o teu tempo passou!» Tudo o que é visível e palpável não representa o real verdadeiro, pois que o autêntico real não é perceptível aos sentidos.

O verdadeiro conhecimento exige que o homem desvie o olhar de tudo quanto o rodeia e desça dentro de si próprio, lá onde mora a verdade tão ansiosamente procurada: «É para o interior que se dirige o caminho misterioso. Em nós, ou em parte nenhuma, estão a eternidade e os seus mundos, o futuro e o passado.

O mundo exterior é o universo das sombras» , concluiu Novalis. O Idealismo se emergiu apenas com o advento da modernidade, uma vez que a posição central da subjetividade é fundamental. Seu oposto é o materialismo.

Tendo suas origens a partir da revolução filosófica iniciada por Descartes e o seu cogito, é nos pensadores alemães que o Idealismo está em geral associado, desde Kant até Hegel, que seria talvez o último grande idealista da modernidade.

Muitos, ainda, acreditam que a teoria das ideias de Platão é historicamente o primeiro dos idealismos, em que a verdadeira realidade está no mundo das ideias, das formas inteligíveis, acessíveis apenas à razão.    

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