O perfil masculino contemporâneo

  • 08/01/2017
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O texto analisa pelo viés psicológico, social e antropológico o homem da atualidade (Tarzan ou Homer?).

 

 

 

Resumo:

O homem, a masculinidade e o poder compõem uma trilogia muito contemporânea e complexa. E a decadência evidente dos moldes tradicionais fez da violência um meio de expressão e de reivindicação social. O texto analisa pelo viés psicológico, social e antropológico o homem da atualidade (Tarzan ou Homer?).

 

Abstract

The man, masculinity and power make up a trilogy very contemporary and complex. And the evident decline of traditional molds, made ??violence a means of expression and social demands. The paper analyzes the bias psychological, social and anthropological man of today (Tarzan or Homer?).

 

Palavras-Chave:  Antropologia. Sociologia. Psicologia. Psicanálise. Masculinidade. Contemporâneo.

Keywords: Anthropology. Sociology. Psychology. Psychoanalysis. Masculinity. Contemporary.

 

Segundo o psicoterapeuta Sócrates Nolasco a figura de Tarzan[1] foi necessária em seu tempo, pelos idos de 1930, e atualmente é a figura de Homer Simpson[2] que precisa existir para que as ideologias de emancipação possam existir.

 

As estatísticas comprovam que existe maior percentual de homens envolvidos em situações de violência, que vão das mais cotidianas e banais até a morte por patologias cardiovasculares, alcoolismo e suicídio.

 

Também a presença masculina é predominante na população carcerária, e sendo significante registrar que há também certa predominância de crimes contra o patrimônio.

 

As sociedades sempre tiveram dificuldades em lidar com a violência assim como contê-la, há certa inquietação envolvendo o perfil masculino e a incidência da violência seja dentro das paixões, da moral, seja quanto à problemática referente à identidade.

 

O que implica em pensar no conceito de masculinidade e o quanto este está comprometido com um suporte de coletivização. Portanto, em cada época existiu um determinado tipo de homem e, ipso facto, certo cariz de masculinidade.

 

Se pesquisarmos os textos clássicos e míticos encontraremos personagens como Hércules, Teseu, Aquiles e Ulisses. E, em cada herói havia uma constituição, vejamos o exemplo de Ulisses que deixa a cidade de Ítaca e vai com Menelau em direção à Tróia para resgatar Helena.

 

Helena que para alguns representa essencialmente o feminino[3], o que há de mais essencialmente feminino em uma mulher. Portanto, é a paixão (com Páris) que move Ulisses, e o faz então resgatar Helena, revelando o seu comprometimento com Menelau.

 

Já pelo perfil de Ulisses pode-se reparar que a construção masculina está articulada a uma coletividade. Ser homem é ser inserido num contexto, num mundo esculpido pelos valores que nos fazem acreditar que estes heróis sejam necessários para entendermos a perspectiva grega do mundo.

 

E, o mesmo se deu na Idade Média, com Parsifal[4] que era um guerreiro. Assim ao comparamos as narrativas literárias e fazer a composição de certo tipo de herói percebemos a referência a ideia de honra dos Cavaleiros da Távola Redonda.

 

E concluímos que não existe um herói desvinculado do outro, e, portanto, não se concebe o herói sem o mundo. Pois é um mundo, a partir da coletivização que o sujeito é inventado e, para que este faça uma composição de si com o mundo.

 

Na verdade, é o mundo a partir da invenção do sujeito que passa a existir. E, hoje na complexa sociedade contemporânea notamos que precisamos de sujeitos úteis economicamente e dóceis politicamente.

 

A transição da Idade Média para Idade Moderna produziu outra forma de pensar, pois saímos do teocentrismo para o antropocentrismo e o racionalismo de Descartes  que quando enunciou “penso, logo existo” trouxe a unção do homem que antes era matéria e espírito, ou seja, corpo e alma, unificados em um só.

 

Com Descartes descobrimos afinal os dois parâmetros que compõem a natureza humana. Principalmente porque esses dois elementos estão em oposição.

 

Daí justifica-se o individualismo que traz diferente prerrogativa de compreensão de mundo, em franca oposição ao mundo medieval tradicional.

 

A ideia de oposição e paradoxo bem presente na transição vivida dos séculos XVI e XVII e que desponta na literatura. Como exemplo, temos Dom Quixote de La Mancha[5] (que avesso a Parsifal) é um herói coxo, manco, esquálido que conversa com os moinhos, e os enxerga como fossem dragões, e que tem como fiel escudeiro, o obeso, baixo e engraçado Sancho Pança.

 

Dom Quixote é o herói que só olha para dentro de si, um mundo novo e inédito que se opõe ao mundo tradicional. A ideia de identidade que pode ser inventada, construída é primorosa concepção moderna. E quando o saber técnico ganha força e valor, quando o discurso da eficiência faz alusão a figuras como Robson Crusoé um náufrago que sobrevive mesmo perante adversidades, que sabe apropriar-se da natureza.

 

Já traduzindo a noção de que a natureza tem que ser domada, bem como a violência, onde também deve existir alguma coisa que deva ser apropriada.

 

De qual forma devo tutelar a violência ao ponto de realmente controlá-la? Muitas ciências e técnicas se preocupam com tal indagação, porém, vivenciamos dolorosamente o descontrole e seus efeitos.

 

Bertrand Russel dizia a que a qualidade do pensamento está exatamente na capacidade de produzir vertigem. De sorte que quando o pensamento não gera vertigem há de se duvidar se este está efetivamente se prestando para alguma coisa. Se as vertigens fossem sucessivamente desaparecendo faz desaparecer também a imaginação das cenas sociais do mundo.

 

Entender o homem implicado na situação de violência significa entender a dificuldade de fazer com que sua imaginação possa agenciar aquilo que o constitui. Diante da incapacidade de imaginar, surge a violência representando uma forma de reiterar uma identidade que já não se sustenta.

 

De qualquer forma, Freud chegou a anunciar que o sujeito não é mais o sujeito da consciência, tal como Descartes já havia imaginado. E, mais radical foi o genial Nietzsche[6] que chegou a dizer: “olha, essa história de que Deus, ou que a verdade existe está totalmente desgastada.”

 

 A respeito da masculinidade e a mulher, ainda esclareceu Nietzsche: “O que na mulher inspira respeito e com frequência temor é sua natureza, que é ‘mais natural’ que a do homem, sua autêntica astuciosa agilidade ferina, sua garra de tigre por baixo da luva, sua inocência no egoísmo, sua ineducabilidade e selvageria interior, o caráter inapreensível, vasto, errante de seus desejos e virtudes…” (Além do bem e do mal § 239).

 

Ao considerar a mulher mais selvagem e inapreensível, Nietzsche pretende aproximá-la de Dionísio. Estas características indicam sua flexibilidade moral no sentido de não se moldar facilmente, de não ser facilmente domesticada.

 

Talvez neste sentido a mulher esteja mais apta para o amor que os homens, uma vez que o amor, enquanto expressão da natureza é “imoral”. “É que homem e mulher entendem por amor coisas diferentes (…). Pois o amor, concebido de modo inteiro, grande, pleno, é natureza e, enquanto natureza, algo eternamente ‘imoral’” (A gaia ciência § 363).

 

Este aspecto natural da mulher[7] é exaltado por Nietzsche. Para o filósofo, quando a mulher permanece na sua natureza é perfeita. Mas quando pretende mudar se espelhando no homem[8], ela se perde[9].

 

A demanda de sujeitos, das pessoas tenta se vincular e se sentir integrada ao mundo, no qual vivem, e então a violência significa essa tentativa de implicação, de fazer parte, de se sentir vinculado e reconhecido por alguma coisa. De se sentir respeitado, temido e notado.

 

Andar armado como faz o traficante faz com que o poder se mantenha e hostilize o possível opositor, então confere ao sujeito inexpugnidade fazendo ser capaz de responder muitas perguntas e dar conta do que é exigido, sucesso, fama, prestígio, poder e, etc.

 

Mas a ideia de representação de Estado representado faz com que a gente reflita sobre outra possibilidade, é a vantagem das sociedades cartesianas. Se posso representar o Estado, também posso me fazer representar.

 

Desse modo, com a sociedade do Direito[10] superou a sociedade das linhagens, das nobrezas, onde nasceu assim, imutavelmente irá morrem assim. Entram em cena, os diferentes graus de liberdade que acentuou os acidentes e o compromisso das sociedades, e auxiliou na construção das identidades dos sujeitos, ajudou a fazerem parte de seus grupos.

 

Com a sociedade do Direito passamos a ser regulados pelo mercado, pela igualdade formal, superamos gradativamente os heróis míticos, cavaleiros que estavam voltados para si mesmos, e passamos a olhar para o mundo e, ao final do século XIX e XX passamos a ser aquilo que bem desejo.

 

Após muitas lutas, e sob influxos iluministas veio a emancipação, a ideia de que tenho autonomia sobre mim mesmo, a ideia de pertencimento da vida.

 

Então no lugar de Deus fazer o homem a sua imagem e semelhança (num discurso totalizador), passamos a ter o homem a construir sua imagem e dessemelhanças.

 

Chegamos ao final do século XIX e início do século XX com três referências de sujeitos: um sujeito da inconsciência, um sujeito da história[11] e um sujeito da “não-verdade” – o homem sendo colocado no lugar de deus.

 

E tal discurso cientificista e tecnológico avança por todo século XX, daí o poder de realizar clonagem, de descobrir outros planetas, outras formas de vida e de tempo.

 

É a ideia do “homem inventar o homem”, de clonar, repetir, duplicar, o que os torna sobreviventes melhores e seletos. A ética é substituída pela excelência de espécie. Quase que numa batalha edílica na busca da melhor estética e da melhor inteligência[12].

 

A longevidade atingida pelas ciências biológicas e médicas nos aproxima da eternidade, da juventude eterna, de escapar das doenças incuráveis, dos atavismos genéticos, e ficar numa representação hegemônica. Glorificando uma identidade humana acima dos conceitos de masculinidade e feminilidade.

 

Então com o progresso científico posso nascer originalmente homem e, mais tarde, vir a morrer como mulher, assim como posso nascer originalmente negro e morrer branco e, essa possibilidade de mutações não tem mais o sexo como principal foco, assim torna-se um dado acidental. Podemos fazer qualquer negócio para bem atender o desejo e, isso pode se dar em razão da representação.

 

Vejamos o personagem Tarzan que surgiu nos quadrinhos nos EUA num momento em que se saía de trágica recessão, essa estória proporcionou a possibilidade de reinventar a civilidade, pois exibia o personagem intenso vigor, força e destreza apesar de todas as adversidades.

 

Então essa imaginada superação se apropria da estória de Tarzan, alcunhado de “homem-macaco”, da imaginação se extraem os sonhos. E precisamos dos sonhos para elaborar o ciclo vital composto de tese, antítese e síntese[13].

 

A antítese não precisa ser necessariamente um conflito, um briga, ou que deva ter destruição. Mas foram as antíteses que nos alavancaram da caverna e nos trouxeram até onde chegamos hoje. Nesse mar de paradoxos onde lutamos para termos diferenças e igualdades.

 

Os paradoxos ressaltam as diferenças mas reforçam as identidades e a construção de papéis e significados sociais. A função filosófica do paradoxo é esmiuçar as possibilidades existenciais.

Eliminar a antítese, assim como eliminar os sonhos significa extinguir a capacidade de evolução. São as antíteses que dão qualidade ao pensar, ao refletir, que o faz produzir vertigem[14].

 

No caso dos homens, o que há nos rituais de iniciação que se constituem a partir do significado ser homem, ser assertivo no trabalho produtivo, proferir a última palavra sobre as coisas, ser forte e reativo, não levar desaforo para casa, ter uma performance sexual digna de atletas, como numa maratona, o que contrasta com o mero encontro amoroso sob a luz do romantismo.

 

A imaginação é crucial pois se o sujeito deixa de imaginar de se colocar sobre sua própria experiência, um modo de se sentir homem. A necessária articulação da vivência e experiência sobre o projeto de vida e do mundo é cada vez mais incumbência do próprio sujeito e a escola não pode ajudar e nem o Estado.

 

Essa ideia de Estado mínimo que não interfere em determinadas ações, negligencia todo o aparato que nos constitui como seres humanos.

 

Com a vida contemporânea afinal experimentamos uma despersonalização, e não conhecemos absolutamente ninguém, e nesse contexto comparece a violência como um dado, como um fenômeno humano dentro de uma dimensão temporal.

 

A partir do Tarzan, em representação de sujeito que todo mundo naturalmente conhece, gradualmente ao longo do século XX assistimos a desmistificação de Tarzan e chegamos até Homer Simpson onde no discurso da emancipação vivencia a mulher autônoma e que marca seu locus na família e na sociedade.

 

A oposição entre homem e mulher veio marcar a transição na literatura do século XVI e XVII e a matriz foi o homem branco e heterossexual. E as mulheres em seu discurso de emancipação vieram a reivindicar um projeto em relação aos homens pela paridade de direitos em relação aos homens.

Além de financiar a emancipação das minorias, hoje os movimentos homossexuais estão reivindicando também a possibilidade de adoção de filhos, de serem enfim reconhecidos como entidade familiar.

 

A multiplicidade de vínculos afetivos e de conjugalidades trazem cada vez mais situações de violência e perplexidade. É mais a desestrutura familiar a nos informar que onde o pai é ausente, o filho jaz fatalmente carente. E, nesse sentido o Estado para nós foi uma representação paterna durante muito tempo.

 

Também a lei é uma representação, tal como a grande mãe dos direitos. Daí, enquanto os órgãos do Estado e da lei, restamos marginalizados e desfuncionalizados como pais, filhos, irmãos e vizinhos.

 

A pluralidade de identidades[15] provoca a banalização e desgaste, repare que todos os heróis dos quadrinhos são broncos, toscos, idiotas, boçais e, sobretudo violentos.

 

Homer Simpson retrata bem um sujeito que ninguém tem o menor interesse, é equivocado, e há uma identificação muito popular com ele, recentemente, há oito anos, os produtos associados a Bart Simpson vendeu mais que os produtos de Mickey Mouse,

 

É bom frisar que existe uma discriminação entre os próprios homens, quem é mais qualificado, mais letrado ou menos letrado. Desde os anos 20 e 30 há um empalidecimento do masculino[16] e tudo que significava dentro da sociedade ocidental, o valor de ser homem.

Desta forma, o homem vigoroso, forte, destemido, provedor e em busca de certo caminho vai desaparecendo e, se transformando em algo que não vale a pena se identificar.

O desemprego e a pobreza constroem uma indústria alimentada pela violência que faz essa apropriação do vigor, da tutela, de submeter à vítima, de humilhar a vítima, de se constituir enquanto herói, de estar no pódio, na cena pública, mesmo que seja pelo avesso.

 

Restou uma instabilidade na modelagem dessas identidades, por falta de vínculos pois o sujeito está sozinho, abandonado em meio a um contexto mutante e vorazmente dinâmico. E, esse sujeito contemporâneo, de intoxicante autossuficiência, de isolamento é recorrente.

 

Portanto, a ideia de que os homens são mais frágeis que as mulheres, refere-se a polêmica que veio com a crise do século XXI que não é uma nova concepção, mas desloca-se em ser uma crise de identidade sexual mais do que uma capacitação de produção de vínculos afetivos.

 

Ganha-se na diversidade, mas não há certezas quanto à identidade. Agora não há o discurso exato e nunca vai haver.

Quanto à ideia de que os homens (padrão) brancos e heterossexuais não são mais necessários, são importantes enquanto representação para existirem os discursos de emancipação.

Se for possível colocar a identidade do masculino e do heterossexual em xeque, posso fazer o mesmo com as demais identidades. A violência onde se instaura, impediu ou deixou de nascer identificação e identidades, deixou de se controlar a tensão emocional, porque a vida é tensão.

 

Nietzsche quando alude à imagem do homem é um sujeito em cima de um leão – em que ele circula, fazendo uma associação ao mundo emocional – dá uma tarefa sobre isso, da apropriação de sua própria vida.

A liberdade para ser amado, de se implicar numa vida produtiva está ligada a nossa capacidade de produção de vínculo, seja homens ou mulheres.

Então, a violência veio de algum modo restituir ou reparar esse vigor perdido, esse enfraquecimento, de positividade, de se sentir uma pessoa de valor.

 

As identidades são construídas para homens e mulheres dentro da perspectiva da imaginação. O homem pode se reinventar através de uma política de amizade e de solidariedade.

 

Observamos que hoje a mulher vem assumindo o lado ativo e o homem vem se apassivando. Assim, o homem se torna mais agressivo devido à perda de seu papel social, e a agressividade é uma forma de afirmar. É uma questão polêmica, pois quando as singularidades vão desaparecendo, esta violência vai crescendo proporcionalmente.

 

Não se reinventaram os parâmetros de masculinidade e feminilidade, assim como não se reinventou o que significa ser homem ou ser mulher. Tem lugar para todos no mundo, por vezes a maneira de se encontrar esse lugar é, através da vitimização, e por vezes através do diálogo.

 

O que devemos combater é a substituição do diálogo pela força da violência, pela truculência, a limar toda racionalidade e humanidade.

 

O ocidente contemporâneo conseguiu a consolidação das democracias  através da perpetuação das guerras e mesmo diante do grande esforço pacifista cada vez mais nos deparamos com um cotidiano militarizado, hostil e eivado de alta competitividade e elevado índices de exclusão social.

 

É evidente  que a decadência da representação social[17] masculina e as provas de que o mundo do homem sucumbiu são inúmeras e não só a ascensão das mulheres nas variadas formas de poder é percebida, mas também o maior espaço e respeito das minorias, reeditam novas lutas  que se travam na busca de paridade, igualdade e fraternidade ( homossexuais, portadores de necessidades especiais, religiosos e outros grupos).

 

O esquema da construção da masculinidade é diferente do que se produz na feminilidade[18]. Comprova-se tanto na literatura como na mitologia que não se nasce homem, e sim, torna-se homem. E monta-se cuidadosa vigilância sobre a masculinidade dos meninos.

 

Sócrates Nolasco ao apontar aos ícones de Tarzan a Homer Simpson buscou enfim ilustrar a banalização e decadência da representação social da masculinidade. Enquanto Tarzan é o homem que vence os desafios da natureza, Homer é expressão da decadência, da inadequação e busca uma função social diferente do homem-macaco.

 

De qualquer forma, o homem contemporâneo molda-se e sofre a influência de ambos os ícones, e faz da violência uma forma de expressão frequente como forma de resolução de conflitos e na busca de reconhecimento e visibilidade social.

  

Referências

  NOLASCO, Sócrates. De Tarzan a Homer Simpson. Palestra disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/evento/de-tarzan-a-homer-simpson-%E2%80%93-a-masculinidade-hoje-socrates-nolasco-psicanalista-2/ Acesso em 20/03/2010.

________________. De Tarzan a Homer Simpson. São Paulo: Editora Rocco, 2001.

 ________________. A violência é masculina. Da virilidade do Tarzan ao conformismo de Homer Simpson, o psicoterapeuta Sócrates Nolasco discute a crise no universo dos homens.  Revista Isto é independente. Disponível em: http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/40095_A+VIOLENCIA+E+MASCULINA Acesso em 20/04/2011.

 ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor. 1998.

 Laplanche, Jean; PONTALIS. Vocabulário de Psicanálise. 4.ed.São Paulo: Editora Martins Fontes. 1998.

 RAGO, Margareth. Adeus ao Feminismo? Feminismo e Pós-Modernidade no Brasil. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-3/Artigo-1-p11.pdf Acesso 19/10/2012

 

[1] Tarzan é personagem da ficção criada pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs na revista Pulp All-Story Magazine em 1912 e depois publicado em formado de livro em 1914.

O mesmo personagem reapareceu em mais de vinte quatro obras posteriores e também em diversos contos avultos. Outros escritores igualmente escreveram obras com o mesmo herói selvagem, como Barton Werper, Fritz Leiber e Philip José Farmer.

Tarzan é filho de aristocratas ingleses que aportaram na selva africana após um mortim. Com a morte de seus pais, Tarzan é criado por macacos. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke.

Tarzan é o nome conferido pelos macacos e significa “pele branca”. Representa uma adaptação moderna mitológica-literária de heróis criados por animais, como em Roma onde  seus fundadores Rômulo e Remo foram criados por lobos.

 [2] Homer Jay Simpson é o nome completo de um personagem de desenho animado criado por Matt Groening para “Os Simpsons”, uma série de televisão do canal FOX.

É o pai da família, e sua primeira aparição se deu em 19/04/1987. Representa uma sátira dod típico pai de família norte-americano. Em seu trabalho como inspetor comete inúmeros erros, além de frequentemente cair no sono, o deixa a cidade em perigo. O mesmo acontece com sua família já que em geral revela ser um péssimo pai e marido.

Apesar de ter apenas 39 anos, seu estado físico é obeso e preguiçoso além de ter reduzida inteligência, manifestando-se de forma infantil e imatura. Mas, Homer sempre se libra dos problemas, embora sua personalidade não mude. Sua principal virtude é ter bom coração. Por vezes é capaz de dizer frases brilhantes entendidas como tolas, mas entendidas como extremo refinamento cultural.

 [3] Manoel Carlos Gonçalves de Almeida mais conhecido como Manoel Carlos ou apenas "Maneco” é escritor e autor de várias telenovelas brasileiras (que retratam o cotidiano contemporâneo). Uma característica marcante de suas tramas é o batismo de suas personagens femininas principais com o nome de Helena. Que se remete a força de Helena de Tróia.

[4] Perceval, Percival, Parsifal ou ainda Peredur na literatura gaulesa, é um dos cavaleiros da Távola Rendona nas lendas do Ciclo Arturiano. É bastante conhecido principalmente, pela participação da Demanda do Santo Graal.

Numerosas versões sobre a origem de Perceval. E, na maioria das vezes é retratado como de origem nobre, filho de Pelinore, sendo cavaleiro valoros e ri de Listenoise, A sua mãe, normalmente anônima, desempenha papel relevante em sua histórioa. Esta vai viver na floresta isolada para impedir que o filho se torne cavaleiro.

A sua irmã, portadora do Santo Graal, é ocasionamento chamada de Dandrane. Nas versões da história consta que Perceval é filho de Pelinore , e seus irmão são Tor, Agloval, Lamorat e Domar.

Depois da morte do pai de Perceval, a sua mãe leva-o para o isolamento das flores, fazendo com que ignore até os quinze anos como se comportam os homens. Um dia ao brincar com dardos da floresta, o jovem Perceval  encontra cinco cavaleiros com armaduras tão brilhantes como dos anjos.

 [5] Dom Quixote é um clássico da literatura espanhola, escrito por Miguel de Cervantes ( 1547-1616). O título original completo era “El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha” É uma das obras mais conhecidas da literatura mundial.

A obra é bem interessante e tem como cenário as paisagens da região da Espanha no período pós Idade Média. Proporciona um mergulho no imaginário e nas fantasias do personagem principal, embora narre também situações de grandes privações e por vezes ridículas. Mesmo assim Dom Quixote angaria simpatia.

 [6] Pouco nos interessa as aventuras amorosas de Nietzsche, mas é sabido que houve uma intensa paixão não correspondida nutrida por Lou Salomé, bem como são conhecidas suas desventuras ao lado da mãe e da irmã. De qualquer forma tais experiências podem ter influenciado sua visão sobre a mulher.

Sobre a mulher perfeita enunciou: “A mulher perfeita é um tipo de ser humano mais elevado que o homem perfeito; e também algo muito mais raro”. (Humano demasiado humano §377). Para entender esta questão da mulher é preciso destacar a diferença que Nietzsche estabelece entre, por um lado, a agressividade e a força de uma natureza e, por outro, o sentimento de vingança e de rancor.

Neste sentido, ele vai opor a mulher vingativa e ressentida à mulher realizada e feliz. Para ele a inveja e a vingança são frutos da má- consciência. Já a força que agride e que despreza diz respeito a uma natureza afirmativa. Como exigir da tigresa que respeite as suas presas?

 [7] “O intelecto feminino – O intelecto das mulheres se manifesta como perfeito domínio, presença de espírito, aproveitamento de toda vantagem. Elas o transmitem aos filhos, como sua característica fundamental, e a isso o pai acrescenta o fundo mais obscuro da vontade.

A influência dele determina, por assim dizer, o ritmo e a harmonia com que a nova vida deve ser tocada; mas a melodia vem da mulher”. (Humano demasiado humano § 411).

A melodia vem da mulher como uma música que sai da natureza. É que seu intelecto é muito mais corpo que razão; muito mais instinto que consciência; muito mais intuição que percepção.

[8] “Se uma mulher tem inclinações eruditas é porque, em geral, há algo de errado na sua sexualidade.  A esterilidade predispõe a certa masculinidade do gosto; é que o homem, com vossa licença, é de fato «o animal estéril» – Nietzsche

[9] O que comumente se considera como fraqueza na mulher, para Nietzsche, é a sua força. Sua grandeza não consiste em equiparar-se ao homem, mas justamente em ser diferente. Suas armas não são o conhecimento ou a política, mas armas muito mais sutis e perigosas como, por exemplo, a beleza, a sedução e a mentira.

Portanto, o que Nietzsche descreve acerca da mulher é justamente o que há de mais valioso na sua própria filosofia. Se ele “acusa” a mulher de falsa, superficial, de só se importar com a aparência é justamente para ressaltar esses valores. Seria isto a transvaloração de todos os valores. Para o filósofo não há verdade, nem profundidade, nem essência – tudo é obscuro, como a mulher.

[10] “A lei sempre emana do Estado e permanece, em última análise, vinculada à classe dominante, pois o Estado, como sistema de órgãos que regem a sociedade politicamente organizada, fica sob o controle daqueles que comandam o processo econômico, na qualidade de proprietários dos meios de produção”.

[11] Ter um passado e uma história é uma necessidade dos vivos e, como diria Pierre Nora, traduz o profundo mal-estar do homem contemporâneo diante dos fenômenos de desenraizamento, de desterritorialização, de perda das referências tradicionais que organizavam sua vida. In: RAGO, Margareth. Adeus ao Feminismo? Feminismo e Pós-Modernidade no Brasil. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-3/Artigo-1-p11.pdf Acesso 19/10/2012.

[12] O melhor argumento sobre a inteligência foi proposto por Dr. Eisenck, um psicólogo britânico, que definiu os "fatores" da inteligência. Atualmente é aceito que existem diferentes formas de inteligência, a qual varia entre os indivíduos. Por exemplo, "inteligência matemática", "inteligência espacial", "inteligência estética", "inteligência da expressão verbal", etc., se expressam por si mesmas em um único indivíduo.

[13] A dialética é método de diálogo cujo foco é a contraposição e a contradição de ideias que acarreta outras ideias e que tem sido tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. Em sua tradução literal a dialética significa “caminho entre as idéias”. 

A dialética também ficou conhecida como a arte da palavra. Todo movimento, transformação ou desenvolvimento opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa – essa negação se refere à transformação das coisas. A dialética é a negação da negação.

[14] “A angústia é a vertigem da liberdade” essa frase é de Kierkegaard. Há experiências que traduzem vertigens existenciais como em momentos de grande ameaça, como a morte de pessoas caras. A vertigem é capaz de operar a descoberta da essência, incorporando-a.

 [15] Tradicionalmente, os conceitos de feminilidade e masculinidade foram delineados a partir de oposição binária, num esquema de tese e antítese. Essa lógica dicotômica reconstitui a oposição existente entre polo dominante e polo dominado, entre ativo e passivo, sendo essa a única forma viável de relação entre esses elementos.

Assim, outrora o homem era relacionado com a superioridade, atividade, força e virilidade, ao passo que a mulher, era secundarizada, inferiorizada, pura, afetuosa e submissão à dominação masculina.

 [16] “(...) Em síntese, a sociedade industrial avançada impõe uma racionalidade tecnológica. Ser bem-sucedido significa adaptar-se ao aparato, ou seja, às instituições, dispositivos e organizações da indústria. Não há lugar para a autonomia humana, para independência de pensamento, nem para o direito de oposição. (...)” In GABRIEL, Ivana Mussi. Hercule Marcuse – Reflexão sobre a sociedade tecnológica. Disponível em: http://jus.com.br/revista/texto/5503/herbert-marcuse#ixzz2CjIQ3EVU

[17] A teoria das representações sociais fora desenvolvida por Serge Moscovici na década de sessenta e aperfeiçoada posteriormente por seus seguidores, na busca de melhor entender como as teorias do senso comum dão significado ao cotidiano, criando realidades sociais.

 [18] É ainda importante explicar que existe o feminismo pós-moderno questiona e desconstrói os conceitos modernos relacionados a sexo, gênero e sexualidade ao considerar que esses conceitos não são neutros, mas construções sociais usadas para transmitir e manter hierarquias e papéis de gênero. Não se cogita somente em mulheres, mas em relações de gênero e construção/desconstrução de identidades.

A heteronormatividade e o binarismo homem-mulher também são questionados, abrindo espaço para outras construções sociais que não se limitam aos papéis tradicionalmente atribuídos a homens ou mulheres e definidos de forma estanque, como feminilidade ou masculinidade.

 

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