Grande canastrão!!!

(Nicolas Cage: o astro B de hollywood)

12 anos. Foram necessários 12 anos para um ator modelo, querido pela indústria, vencedor de um oscar, destruir sua própria imagem e carreira.

Eu me lembro de quando estreou nos cinemas, em 2005, o sublime O senhor das armas, de Andrew Niccol. E de como fiquei bestificado com a coragem daquele diretor de apontar as grandes nações do mundo como responsáveis das guerras sórdidas que acontecem no mesmo mundo. Nicolas Cage vivia Yuri Orlov, um traficante de armas com contatos ao redor do mundo e uma influência política digna de qualquer presidente do G-8 em vigência na época. Ele estava soberbo. Não só ele como Jared Leto, vocalista da banda de rock 30 seconds to Mars, que interpreta seu irmão no longa.

O que eu ainda não sabia (para minha infelicidade) é que aquela seria a última interpretação digna de Nicolas Cage. Acreditem...

Nicolas Cage, para os que não sabem, faz parte do clá - ou família, para quem prefere o básico - Coppola. Sim, é sobrinho do gênio por trás do clássico e eterno O poderoso chefão. E é bom que se diga desde já: tinha uma carreira, sob certo ponto, brilhante. Trabalhou com diretores conceituados (os irmãos Coen em Arizona nunca mais, Norman Jewison em Feitiço da Lua, Martin Scorsese em Vivendo no limite, Brian de Palma em Olhos de serpente, etc etc etc...). Seu Oscar de melhor ator por Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis, é uma brilhante construção de um alcoólatra inveterado e o colocou no patamar mais alto de hollywood.

Colecionador de quadrinhos raros (seu próprio sobrenome artístico é proveniente de um personagem da Marvel, Luke Cage), casado por muitos anos com a filha de Elvis Presley... Não havia mais patamar que pudesse atingir.

Não havia? Ledo engano. Assim como existe a ascensão, existe a queda. Depois de O senhor das armas Cage começou a escolher seus personagens com total displicência, sem o menor critério. Seus fãs começaram a zombar, chamando-o de mercenário. Lembro-me certa vez, dentro de uma locadora de vídeos, um rapaz dizendo que "ele escolhe seus papéis pelo valor do contra-cheque!". Foram essas as exatas palavras. Gargalhadas, piadinhas, eram sempre acompanhadas a seu nome.

E diga-se a verdade: ele contribuiu para essa imagem. Começou a exibir interpretações bizarras, escatológicas, caricatas. Deixou de lado personagens como os irmãos Kaufman de Adaptação (pequena pérola do diretor Spike Jonze) para se envolver em projetos megalomaníacos como Motoqueiro fantasma, Kick-Ass: quebrando tudo e o surreal Aprendiz de feiticeiro (baseado, acreditem, num dos segmentos da animação Fantasia, da Disney).

Entretanto, ele acabou arrebanhando uma outra legião de fãs: a dos admiradores de filmes B. Isso mesmo, meus caros leitores! Já ouvi gente por aí, pelas minhas andanças cinematográficas, que chama Nicolas Cage de "o maior astro B da atualidade em hollywood). E após passar uma rápida piscadela por sua página no IMDb, confesso: há que reconhecer o mérito do ator dentro do gênero.

Ninguém faz uma careta como ele. Ninguém distorce a voz como ele. Ninguém assume compromissos fiéis com tantos personagens ruins como ele. E ninguém desperdiçou tantas oportunidades como ele nos últimos anos. E olha que ele já teve a chance de trabalhar, nessa época negra, com diretores da lavra de Paul Schrader (roteirista de Táxi Driver) e Werner Herzog (no alucinado e fora do tom Vício Frenético, um remale do clássico de Abel Ferrara com Harvey Keitel no personagem principal)!

Por quantos anos mais Cage nos presenteará com personagens e atuações tão alucinadas e fora de si? Isso nem mesmo a velha hollywood é capaz de saber. O que se sabe de fato é que ele tem feito de tudo para pagar suas dívidas e se divorciou da filha de Elvis. No mais: o céu é o limite para esse moço, que prometia tanto mas acabou no fundo do poço (ou melhor dizendo: aprisionado às produções meia-boca).

Enfim: como já disse o célebre escritor polical James Ellroy em seu best-seller Tablóide americano, "Hollywood é o melhor e o pior de um mesmo mundo. E você não faz a menor ideia de quando um começa e quando o outro termina".

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