Meu manifesto

(inspirado pelo filme de Julian Rosefeldt)

Venho por meio destas mal (quer dizer: decidam vocês!) traçadas linhas manifestar meu repúdio à nação da qual faço parte desde que nasci, por acreditar que ela se perdeu totalmente, tornou-se uma bola fora da curva, perdeu sua razão de ser, seu sentido, sua moral cívica.

Refuto terminantemente qualquer tentativa de me tornarem um boçal, um maria-vai-com-as-outras, um encima do muro, um vendido, um qualquer em meio a tantos outros, uma ameba ambulante e não-pensante, mero replicador de fenômenos e comportamentos vis alheios.

Rechaço qualquer indivíduo que tente me convencer a obedecer padrões pré-estipulados por uma elite que há anos nada faz de útil, que se limita a manter-se no poder pela crença mórbida e cafajeste de se autodenominarem "os eleitos", os escolhidos pelo criador para determinar as regras impostos.

Recuso-me de forma taxativa a corroborar modismos e temperamentos que não agreguem nada à minha filosofia de vida e ainda por cima corrompam minha ética pessoal, sob pena de acabar sendo lobotomizado por um sistema de ideias pernicioso e sem limites. De jeito nenhum!

Combaterei com unhas e dentes qualquer modelo artístico que considere desnecessário, vagabundo, desprezível, tendencioso, que não passe de uma reles modinha vulgar de temporada, pois não me transformarei num acéfalo por conta de ideias vazias e desastrosas, rotuladas infantilmente (ou cruelmente) de arte.

Não incorporarei ao meu pensamento a já mofada e gasta mentalidade de cultuar ídolos, tendo em vista que, em sua quase totalidade, eles nunca serviram para outra coisa que não fosse manipular seus fãs a serviço dos poderosos que desde a Era Cristã determinam os caminhos da sociedade civil.

Não me permitirei a má sorte de concordar com quem quer que seja, unicamente baseado em sensos comuns do tipo "ele é mais velho do que você, portanto mais sábio", "é preciso segur a hierarquia imposta" ou "manda quem pode, obedece quem tem juízo", pois foi graças a mandamentos como esses que o mundo se tornou um poço de discórdias e desigualdades sociais.

Não consumirei nenhum artigo, serviço, objeto, visão de mundo ou qualquer outra vertente, que seja oferecida e baseada numa postura meramente capitalista e amoral, voltada para enriquecer àqueles que nunca deixaram de ser milionários.

E, diante de todos os decretos anteriores, concluo meu manifesto com a seguinte sentença: que em tempo algum eu volte minhas costas para o que aqui foi declarado, sob pena de tornar-me um mentiroso ou um charlatão do mesmo nível (ou pior) do que aqueles que estou combatendo nesse documento.

Dito isto, atenciosamente despeço-me e desejo-lhes uma boa semana! Muito obrigado.

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